Achar o nosso apartamento para mim era uma missão quase tão importante quanto arrumar um emprego, parece que a vida fica meio empacada até que a gente tenha um teto só nosso ou tenha para onde voltar depois de um dia cansativo. Os amigos estão sendo suuuper legais nos dando abrigo nesses primeiros dias e por mais que digam que não incomodamos a gente sabe que visita mexe com a rotina da casa.
Então, já que o marido já está mandando currículo e eu já me inscrevi na francisação em tempo integral (isso deveria ser mais um post, não?), era hora de irmos em busca da nossa morada.
A gente queria um apartamento que fosse novo (porque acho que o aquecimento deve ser melhor durante o inverno, pressão da água, elevador, etc, etc... E porque o marido é alérgico a mofo e umidade) e que fosse bem localizado, com todos os serviços por perto. Claro que nem tudo que a gente quer é possível, ao contrário do que a Xuxa me dizia em suas músicas quando eu era pequena, e isso nós percebemos rapidinho quando vimos os valores dos alugueis para apartamentos nesse padrão. Não ia rolar...
Ahuntsic é um bairro um pouco mais afastado do centro e foi a nossa primeira ideia. Primeiro porque os nossos amigos moram aqui e depois desse tempo no Rio ficamos meio cansados de não ter companhia. Segundo porque os apartamentos são novinhos, vimos um com menos que um ano de construído! A desvantagem é que para tudo teríamos que pegar ônibus, visto que essa região em específico fica meio longe do metrô. Bom, de qualquer forma eu já ficaria bem feliz aqui, mas o marido não estava contente com a distância do metrô, então só por desencargo de consciência resolvermos ir dar uma olhada em Outremont.
Dos lugares todos que estavam na nossa cabeça Outremont parecia uma boa opção mas por ser tido como um bairro caro (e imigrante recém chegado, sabe como é? Não pode se dar muito ao luxo...) a gente acabava nem procurando direito no Kijiji por lá. Mas, de qualquer forma, decidimos ir pessoalmente conferir e ver qual é a do lugar. Achamos um apartamento que gostamos e marcamos uma visita. Sabe paixão a primeira vista? O bairro é uma graça, bem arborizado, com metrô, mercado, farmácias, lojas e mais um monte de coisas nas ruas principais, além de parques e muitos lugares pro marido fazer exercício ao ar livre, e as transversais com casas pequenas e bonitas, prédios baixinhos, parece rua de filme. Adorei e o marido então, gamou. Foi sair do metrô, dar mais uma volta que já deu pra ver pela cara dele que não tinha outro jeito, era ali que ele ia queria ficar! Só que quando chegamos no apartamento descobrimos que o 4 1/2 (2 quartos, sala, cozinha + o meio que é o banheiro) que queríamos já havia sido locado e agora só tinha disponível um outro 3 1/2 (um quarto). Eu meio que broxei na hora. A gente até subiu para dar uma olhada, mas depois de 3 anos morando num apt de 1 quarto, eu queria mais espaço para nós e para as nossas coisas, receber visitas, enfim... Acho que o administrador viu nossa cara de frustração e soltou algo como: calma galera, tenho outros 4 aqui por perto, querem dar uma olhada? Bom, já que estávamos alí, né? Fomos ver. Nos mostrou outros 2 , também 3 1/2, para finalmente chegar num prédio que fica praticamente na Avenue Van Horne. Assim, no 4º dia de Canadá, já tínhamos um endereço desejado, quase em tempo recorde! O apartamento não é o dos nossos sonhos, mas para primeira morada tá bom, a localização nem se fala e o bairro melhor ainda!
Ah, ponto pro administrador que foi muito gentil conosco mudando o tempo todo do Francês pro Inglês e vice-versa, conforme nossa dificuldade em perguntar e entender.
O que ficou de lição para nós é que apesar de muita gente, e até o guia do governo, dizer que a temporada de busca de apartamento vai de março à junho, em maio, pelo menos em Outremont, já quase não sobrou nada. A gente até vê umas placas nas ruas, mas eram de 3 1/2, 5 1/2, até 6 1/2. O administrador (que mais tarde nos contou que cuida de 100 apartamentos na região) disse que o boom de procura foi no mês passado, e que com esse que locamos ele só tinha mais outros 3 para oferecer (ou seja, pegamos o resto mesmo). Ano que vem começaremos mais cedo...
A única coisa que me deixou triste nessa história foi a distância dos amigos, mas isso a gente vai dar um jeito...
Ruas de Outremont:
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Levando o Alce para Casa